segunda-feira, 24 de junho de 2013

EXCURSÃO TÉCNICA 1 - 2013

Abaixo publico o relatório da excursão técnica da disciplina Manejo de Bacias Hidrográficas elaborado pelo aluno Geraldo Nunes Queiroz, do curso de Tecnologia em Silvicultura da FATEC Capão Bonito (2013). Infelizmente, as imagens não puderam ser anexadas.



FACULDADE DE TECNOLOGIA DE CAPÃO BONITO
                                        
 RELATÓRIO:
Bacia do alto Paranapanema e Bacia do Rio Ribeira

 Geraldo Nunes Queiroz

 Capão Bonito – SP
2013

Trabalho apresentado à Faculdade de Tecnologia de Capão Bonito, na disciplina de Bacias Hidrográficas contendo as normas estabelecidas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

     Professora: Claudia Moster Barros

Resumo

Este trabalho teve como objetivo avaliar as características fisico-químicas, de um afluente da bacia do alto do Paranapanema e também em diferentes partes do rio Ribeira da região do Estado de são Paulo. Foram medidas a vazão, pH, condutividade elétrica, temperatura, sólidos dissolvidos e sólidos em suspensão. Com esses dados pode-se observar que quanto mais próximo do oceano mais poluição e menos vegetação se encontra na zona riparia, com isso percebe-se que a vegetação da zona riparia tem grande influencia na qualidade da água. 

1.     Introdução
Na ótica da engenharia ambiental, o conceito de qualidade da agua é muito mais amplo do que a simples caracterização da agua pela formula molecular H2O. Isto porque a agua, devido as suas propriedades de solventes e a sua capacidade de transportar partículas, incorpora a si diversas impurezas, as quais definem a qualidade da agua.
A qualidade da agua é resultante de fenômenos naturais e da atuação do homem. De maneira geral, pode-se dizer que a qualidade de uma determinada agua é função das condições naturais e do uso e da ocupação d solo na bacia hidrográfica. Tal se deve aos seguintes fatores:
Condições naturais: mesmo com a bacia hidrográfica preservada nas suas condições naturais, a qualidade das aguas é afetada pelo escoamento superficial e pela infiltração no solo, resultantes da precipitação atmosférica. O impacto é dependente do contato da agua em escoamento ou infiltração com as partículas, substancias e impurezas no solo. Assim, a incorporação de sólidos em suspensão ou dissolvidos ocorre, mesmo na condição em que a bacia hidrográfica esteja totalmente preservada em suas condições naturais. Neste caso, tem grande influência a cobertura e a composição do solo.
Interferência antrópica: a interferência do homem quer de uma forma concentrada, como na geração de despejos domésticos ou industriais, quer de uma forma dispersa, como na aplicação de defensivos agrícolas no solo, contribui na introdução de compostos na agua, afetando a sua qualidade. Portanto, a forma em que o homem usa e ocupa o solo tem uma implicação direta na qualidade da agua.
O primeiro passo para a resolução dos problemas socioambientais gerados pela má gestão dos recursos hídricos é o desenvolvimento de metodologias de diagnóstico eficientes. Segundo documento da Organização das Nações Unidas (ONU), Agenda 21 (CNUMAD, 1992:333), “a utilização da água deve ter como prioridades a satisfação das necessidades básicas e a preservação dos ecossistemas.” No capítulo 18 desse documento é sugerido que a proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos seja feita a partir da aplicação de critérios integrados para o desenvolvimento, o manejo e o uso dos recursos hídricos.
As agências ambientais têm apresentado algumas sugestões para o uso de biomonitoramento, mas a falta de estudos que estabeleçam padrões de coleta, identificação, avaliação e classificação reduz a aplicabilidade dessas metodologias. As agências ambientais estaduais e federais não dispõem de pessoal ou recursos para o estabelecimento desses padrões, devendo esse papel ficar a cargo das universidades e centros de pesquisa. Apesar de sugestões para a criação de um programa nacional de monitoramento das águas (Barbosa, 1994), acreditamos que, devido às dimensões continentais e à diversidade geográfica do Brasil, inicialmente deveriam ser criados comitês técnicos para discutir a padronização de metodologias regionalmente, fornecendo subsídios técnico-científicos às agências ambientais.
O monitoramento de variáveis físicas e químicas traz algumas vantagens na avaliação de  impactos ambientais em ecossistemas aquáticos, tais como: identificação imediata de modificações  nas propriedades físicas e químicas da água; detecção precisa da variável modificada, e determinação destas concentrações alteradas. Entretanto este sistema apresenta, algumas  desvantagens, tais como a descontinuidade temporal e espacial das amostragens. A amostragem de variáveis físicas e químicas fornece somente uma fotografia momentânea do que pode ser uma situação altamente dinâmica (Whitfield, 2001)
Dentre as variáveis de qualidade da água, podem-se destacar a temperatura (T), pH, oxigênio dissolvido (OD) e conteúdo matéria orgânica (MO). A temperatura da água influencia na concentração de outras variáveis, como OD e MO (PORTO et al., 1991), sendo a radiação solar, segundo ARCOVA et al. (1993), a principal variável que controla a temperatura da água de pequenos rios. O pH fornece indícios sobre a qualidade hídrica (água superficial valor entre 4 e 9), o tipo de solo por onde a água percorreu e indica a acidez ou a alcalinidade da solução (MATHEUS et al., 1995). O teor de OD expressa à quantidade de oxigênio dissolvido presente no meio, sendo que a sua concentração está sujeita às variações diária e sazonal em função da temperatura, da atividade fotossintética, da turbulência da água e da vazão do rio (PALMA-SILVA, 1999), podendo reduzir-se na presença de sólidos em suspensão e de substâncias orgânicas biodegradáveis, como esgoto doméstico, vinhoto e certos resíduos industriais (MATHEUS et al., 1995). A decomposição da MO nos cursos d’água pode diminuir o teor de OD, bem como o pH da água, pela liberação de gás carbônico e formação de ácido carbônico a partir deste (PALHARES et al., 2000).
O presente trabalho tem como objetivo avaliar as características fisico-químicas, de um afluente da bacia do alto do Paranapanema e também em diferentes partes do rio Ribeira da região do Estado de são Paulo.
1.     Material e métodos
O presente trabalho teve inicio no parque Carlos Botelho, localizado no município de São Miguel Arcanjo, SP, onde foi coletada a primeira amostra de agua, seguindo as seguintes etapas;
Foram medida a largura do rio, foram medido vários pontos da profundidade do rio para se obter a profundidade, foram cronometrada a velocidade da agua, foram medida a temperatura e a pH da agua.
Para se medir a largura foram necessário uma trena de 20m, onde uma pessoa atravessou o rio segurando uma ponta da trena e outra pessoa segurando outra ponta confirmou a medida exata, usando a mesma pessoa para tirar a medida de vários pontos da profundidade do rio, para se obter uma media da profundidade, utilizando de um cronometro, uma trena de 20m e uma esponja, foi medida a velocidade da agua utilizando de um simples método que consiste em marcar um ponto no meio do rio e outro ponto mais abaixo do rio, onde foi medida a distancia dos pontos e em seguida foi solta a esponja no primeiro ponto e cronometrado o tempo ate a esponja atingir o segundo ponto, assim obtendo a velocidade da agua.
Além dessas medidas foi medida o pH da agua utilizando um peagamêtro, que foi introduzido no meio do rio, neste mesmo ponto a 20 cm de profundidade, utilizando de uma garrafa de agua mineral que foi lavada três vezes para retirar qualquer resíduo e foi coletada uma amostra de agua, sendo que a garrafa foi tampada submersa para que não houvesse a entrada de oxigênio que poderia alterar as características da agua.
O segundo ponto de medição foi a 30 m do primeiro ponto, a medição ocorreu na bica, onde foram medidos a vazão, pH, temperatura e sólidos dissolvidos, seguindo os mesmos métodos utilizados acima descritos.
Na segunda parada que foi no rio Ribeira, no município de Sete Barras, SP, onde com auxilio de um rolo de corda fina amarrada em uma garrafa de agua mineral, porque a coleta foi realizada no meio do rio e em cima da ponte, e em seguida foi coletada uma amostra de agua para medir a temperatura e o pH do rio e na quarta vez a agua coletada foi armazenada para medir a condutividade elétrica e sólidos dissolvidos.
Na terceira parada que foi no rio Ribeira, no município de Registro, SP, onde foi utilizado o mesmo método descrito acima para coletar uma amostra de agua para medir o pH e a temperatura e em seguida armazenada outra amostra para medir a condutividade elétrica e sólidos dissolvidos.
Na quarta parada que foi no rio Ribeira, no município de Iguape, SP, onde fora coletada mais uma amostra de agua para as mesmas medições, em seguida após as coletas em todos os pontos descritos acima, seguiu-se ao hotel em Cananeias SP, onde foi medida a condutividade elétrica e sólidos dissolvidos de todas a amostras coletadas e foi guardada uma parte da amostra para ser utilizada para a medição de sólidos em suspensão que medida na FATEC-CB, por ter os equipamentos necessários para a medição, que foi uma balança analítica e uma bomba a vácuo, a condutividade elétrica e sólidos dissolvidos foram medidos no hotel por causa da disponibilidade de energia elétrica para ligar o aparelho (condutivimetro).
2.     Resultados e discussões
Na primeira parada foi calculada a vazão utilizando o seguinte método; medindo a largura do rio; velocidade da agua e a profundidade do rio. Para medir a largura do rio foi necessário duas pessoa cada uma segurando uma ponta da trena, assim uma pessoa teve que atravessar o rio para chegar ao outro lado e outra ficou no barranco para determinar a largura.
Para se medir a velocidade da agua, foi marcado um ponto para soltar o flutuador e marcado outro ponto para pegar o flutuador e medida a distancia dos dois pontos e cronometrado o tempo que o flutuador levaria para chegar ate o segundo ponto, este processo teve três repetições para se obter a media do tempo da velocidade da agua.
Para obtenção da profundidade do rio, foram medidos vários pontos da profundidade, assim obtendo um valor mais real possível.
Na mesma parada foi medida a vazão da bica utilizando um balde de 12 l e cronometrado o tempo que levaria para o balde se encher quando colocado debaixo da bica.
Os dados obtidos foram:

Distância (m)
Tempo médio (s)
Velocidade média (m/s)
Rio principal
8,20
23,38
0,35
Bica
4,15
3,88
1,07
Tabela 1. Mostra os dados obtidos com as medições no local de coleta.

Largura (m)
Profundidade(m)
Velocidade (m/s)
Vazão: L x P x V (m3/s)
Curso Principal
12
0,38
0,35
1,596
Afluente
0,21
0,08
1,07
0,018
Tabela 2. Refere-se aos dados de vazão obtidos através da relação entre velocidade, profundidade largura do canal.

Quantidade litro
Tempo médio (s)
Vazão (l/s)
Balde
12
1,62
7,4
Tabela 3. Refere-se à vazão da bica, que seria o tempo que ele levaria para encher o balde de 12 l.
Os demais pontos não foram medidas a vazão do rio devido a sua dimensão, então nestes pontos foram medidos os seguintes dados:
Amostra
Hora coleta
Temperatura da água em ˚C
pH
Condutividade (microcines)
Sólidos dissolvidos aparelho (ppt)
Partículas em suspensão (g/l)
1
07:57
15
5,6
30,2
564
-
2
12:15
21
6
103,9
880
0,034
3
13:23
21
6,6
80
131
0,053
4
15:35
21
5,6
191,9
2592
0,0335
Tabela 4. Refere-se aos dados obtidos nos 4 pontos de coletas, além da condutividade elétrica, sólidos dissolvidos e partículas em suspensão que foram medidas obtidas depois através das amostras de agua coletadas.
Depois de cada coleta também foram caracterizadas as zonas riparias, onde cada local de coleta apresentou diferentes tipos de vegetação ou ate nenhum tipo de vegetação.
Ponto 1. : bastante invasora, samambaia, exótica (eucalipto), bambu, liquens vermelho, palmeiras, uma área ate que bem conservada por se tratar de um parque estadual, neste ponto de medição a estrada passa ao lado do rio, o que afeta a qualidade da agua, nas épocas de chuvas, pois tem pouca vegetação para segurar a agua antes de chegar ao leito do rio.
  
Figura 1, 2. Caracterização da zona riparia, no parque Carlos Botelho.
Ponto 2. Toda área de várzea é composta por bananeiras, onde estão plantadas ate o leito do rio.
Figura 3. Caracterização da várzea do rio Ribeira em Sete Barras.
Ponto 3. No terceiro ponto de coleta a área de várzea é ocupada por bananeiras, criação de porco e pastagens, onde a pastagens tem o solo compactado e a infiltração de agua é mínima
Figura 4. Caracterização do rio Ribeira em Registro.

Ponto 4. Neste ponto não tem vegetação, apenas casas por se tratar de uma zona urbana, o que aumenta a poluição do rio.
 
Figura 5, 6. Caracterização riparia do rio Ribeira, no município de Iguape.
3.     Considerações finais
A agricultura é um dos principais fatores mais impactantes quando o tema é qualidade da água, mesmo em áreas consideradas ambientalmente preservadas. Vários fatores devem ser considerados, como as características geológicas da região, o uso e ocupação do solo, sendo de primordial importância o tipo de atividade humana desenvolvida. As características gerais da qualidade da água natural são muito variáveis e derivam dos ambientes por onde circulam ou são armazenadas.
Segundo os resultados obtidos, pode se observar que quanto mais próximo do oceano mais poluição e menos vegetação se encontra na zona riparia, com isso percebe-se que a vegetação da zona riparia tem grande influencia na qualidade da agua.
Nos experimentos inerentes da disciplina feitos durante a viagem, das 4 amostras analisadas, a amostra 3 teve o menor índice de condutividade elétrica e sólidos dissolvidos, devido a tratamento de esgoto que se encontra na região do rio Ribeira no município de Registro, SP.

4.     Exercícios complementares
Como o oceano pode influenciar o comportamento hidrológico de formações florestais em bacias litorâneas?
O sudeste brasileiro está envolvido pelas principais correntes de circulação atmosférica da América do Sul. Existe uma faixa de conflito entre sistemas tropicais e extra-tropicais que são as correntes tropicais marítimas. O fenômeno da maritimidade propicia a formação de massas de ar que se deslocam horizontalmente do oceano para a floresta, pelos ventos. Esse vapor é deslocado para o continente  que precipita quando há o encontro de massas diferentes.
Por causa disso o oceano acaba influenciando no comportamento hidrológico de formações florestais em bacias litorâneas.
Quais indicadores hidrológicos você recomendaria para monitoramento dos pontos analisados durante a excursão técnica, com qual periodicidade de coleta e por quê?
A qualidade da água e o volume de agua, pois é um ótimo termômetro de verificação da eficácia ecológica do manejo floresta. Mas tem que ser medido de acordo com critérios científicos. É preciso se valer de um método que demonstre inequivocamente os efeitos do manejo florestal sobre a qualidade da água.
A coleta tem que ser feita na parte central do rio, e para isso tem que se utilizar de algum barco.
      Qual o melhor e o pior da disciplina e da excursão técnica? Como você se auto-avalia como aluno?
O melhor da disciplina de bacias hidrográficas foi entender a importância da bacia hidrográfica em qualquer projeto de recuperação e reposição ambiental. O pior da disciplina é ter que fazer tudo com pouco tempo, e não ter aulas praticas para podermos analisarmos na pratica as bacias e levantar  pontos que possam estar interferindo com a qualidade e produtividade de agua.
Eu me considero um aluno participativo, comunicativo e solidário,  comprometido e interessado nos temas da disciplina.


Referencias bibliográficas
ARCOVA, F.C.S.; CESAR, S.F.; CICCO, V. Qualidade da água e dinâmica de nutrientes em bacia hidrográfica recoberta por floresta de mata atlântica. Revista do Instituto Florestal, São Paulo, v.5, n.1, p.1-20, 1993.
BARBOSA, F. A. R. (org.), 1994. Workshop: Brazilian Programme on Conservation and Management of Inland Waters. Acta Limnologica Brasiliensia v. 5. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas/Sociedade Brasileira de Limnologia.
CNUMAD (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento), 1992. Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento: Agenda 21. Brasília: Senado Federal.
MATHEUS, C.E.; MORAES, A.J. de; TUNDISI, T.M.; TUNDISI, J.G. Manual de análises limnológicas. São Carlos: Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada, USP, 1995. 62 p.
PALHARES, J.C.P.; SCANDOLERA, A.J.; LUCAS JÚNIOR, J.; COSTA, A.J. da. Monitoramento da qualidade da água do Córrego Jaboticabal através de parâmetros químicos. In: WORKSHOP DE INTEGRAÇÃO DE INFORMAÇÕES DA BACIA HODROGRÁFICA DO RIO MOGI GUAÇU, 3., 2000, Porto Ferreira. Anais... Porto Ferreira: Prefeitura Municipal de Porto Ferreira, 2000. p.43-4.
PALMA-SILVA, G.M. Diagnóstico ambiental, qualidade da água e índice de depuração do Rio Corumbataí - SP. 1999. 155 f. Dissertação (Mestrado em Manejo Integrado de Recursos) - Centro de Estudos Ambientais, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 1999.
PORTO, F.A.; BRANCO, S.M.; LUCA, S.J. Caracterização da qualidade da água. In: PORTO, R.L. (Org.). Hidrologia ambiental, São Paulo: EDUSP, 1991. p.375-390.
Whitfield, J. 2001. Vital signs. Nature, 411 (28): 989-990. US Environmental Protection Agency (USEPA). 1996. Proposed guidelines for ecological risk assessment: Notice. FRL-5605-9. Federal Register, 61, 47552-47631.

MANEJO SUSTENTÁVEL DE Euterpe edulis Mart.

Como introduzi na postagem anterior, segue abaixo o artigo desenvolvido pelos alunos Claudio Aparecido Pereira, José Sergio Drigo Prestes e Marcelo Arruda, na disciplina Legislação Florestal e Certificação Ambiental, do curso Tecnologia em Silvicultura da FATEC Capão Bonito (2013).


MANEJO SUSTENTÁVEL DE Euterpe  edulis Mart.

Claudio Aparecido Pereira, José Sergio Drigo Prestes e Marcelo Arruda

O manejo sustentável do palmito juçara (Euterpe edulis), deve partir de um planejamento que garanta as condições para preservação da espécie e seu  ecossistema associado. Implantar cultivos que obedeçam aos princípios e critérios de certificação florestal estabelecido pelo Imaflora, certificadora credenciada pelo Rainforest Alliance, é uma proposta que visa agregar renda ao produtor através de PFNM e do próprio palmito de maneira sustentável

Palavras - chaves: Euterpe edulis, Manejo sustentável e Certificação


1 - INTRODUÇÃO
O palmiteiro juçara Euterpe edulis, Mart. é predominantemente nativo de Florestas da Mata Atlântica , com ocorrência distribuída geograficamente nestas regiões tropicais, necessitam de clima quente e úmido e com alta taxa de pluviosidade. A espécie está posicionada no estrato médio da floresta, uma vez que necessita de sombra, solo úmido e com extensa camada de matéria orgânica em decomposição para seu desenvolvimento. Mantém de uma forte interação com a fauna, uma vez que frutificam na época de inverno quando outras espécies vegetais estão sob o estresse hídrico, e é fonte de alimentação para tucanos, tatus, capivaras, sabiás, esquilos, antas, periquitos, macacos entre outros. O E. edulis tem um ciclo de vida curto e não há rebrota, pois apresenta um único estipe, não formando touceira o que torna incapaz de produzir perfilho acarretando na morte da planta após o corte para extração do palmito.
Devido ao valor econômico do palmito a espécie sofre intenso extrativismo, o que faz do palmito juçara um dos produtos mais explorados na Mata Atlântica. Essa exploração, na maior parte ilegal, contribui para a degradação do meio ambiente e reflete um problema social que afeta a para a preservação da espécie.
A defesa do meio ambiente, segundo a Constituição Federal, Capitulo VI – Do Meio Ambiente, Artigo 225, depende da ação conjunta do Poder Público e do povo, garantindo assim o direito a uma qualidade de vida sadia para todos e a preservação para as atuais e futuras gerações. A consciência de preservar o meio ambiente garantindo o desenvolvimento econômico e social das comunidades leva à necessidade de ações focadas as necessidades locais, mantendo-se a visão holística.
A pressão ecológica que o extrativismo ilegal exerce sobre o E. edulis deve ser alvo de ações focadas na implantação de faixas de recuperação e cultivo para exploração legalizada. O envolvimento de pequenos e médios produtores na atividade através de reflorestamentos ou sistemas agroflorestais, proporcionará aumento de renda e desenvolvimento social dos palmiteiros que vivem da ilegalidade.
Existem expectativas de promoção das exportações de conservas produzidas com palmito de pupunha e palmeira-real da Austrália. Argumenta-se que os mercados importadores de palmito poderão impor a necessidade de que o produto comercial disponha de um certificado quanto à sustentabilidade dos meios de sua produção. Por este motivo, este estudo documenta uma análise
Introdutória das possibilidades que existem para a certificação do manejo florestal sustentável das plantações estabelecidas com aquelas.(AHRENS).
Segundo FADDEN (2005), o processo de conscientização das comunidades sobre o potencial de utilização dos frutos da palmeira juçara para produção de popa alimentar e sementes abre uma nova perspectiva de diálogo e construção de propostas de manejo sustentável dos recursos naturais.
  O objetivo deste trabalho é a proposta de plano de manejo sustentável para o E. edulis, aplicado a certificação individual ou em grupos seguindo os princípios e critérios estabelecidos pelo Imaflora, certificadora credenciada pelo Rainforest Alliance, tem como objetivo.    

2 - MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 – Legislação para o manejo do E. edulis no Estado de São Paulo
Os princípios e critérios do FSC buscam conciliares os interesses econômicos, sociais e ambientais. No Estado de São Paulo a  Resolução SMA Nº 16 de 21 DE JUNHO DE 1994 estabelece normas para exploração e o manejo sustentado da palmeira juçara. A saber:
Art. 1º. A exploração da palmeira da espécie Euterpe edulis, nativa ou implantada, está acondicionada a previa autorização do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais -DEPRN.
Art. 2º. O Plano de Manejo Sustentado constitui instrumento indispensável para a exploração da palmeira Juçara em áreas cobertas por vegetação primária nos estágios médios e avançado de regeneração no Estado de São Paulo.
Art. 7º. A exploração de palmito cultivado em áreas desprovidas de vegetação nativa de porte arbóreo não depende do Plano de Manejo Sustentado previsto nos artigos anteriores, devendo, no entanto, ser comunicado ao DEPRN, por escrito, o local, a quantidade e a época de plantio.
O estabelecimento de plantios de espécies nativas deve seguir o disposto no Novo Código Florestal Brasileiro, Lei Nº 12651/12, para que o manejo cumpra os critérios do princípio 1 do FSC.
2.2 – Manejo do E. edulis
A proposta de manejo para certificação pode abordar três formas básicas de cultivo, respeitando-se a vocação de cada produtor. Este quesito é importante, pois as pessoas participam mais quando tem claras a finalidade e metas de suas ações.
O sombreamento definitivo pode ser a opção quando da restauração e ou recuperação da mata nativa ou arborização plantando-se entre as árvores já existentes.
O sombreamento temporário pode ser implantado nos reflorestamentos, onde a extração da madeira deve ser sincronizada com a fase em que a falta de sombra não afeta o desenvolvimento de E. edulis.
O consórcio de E. edulis em sistemas agroflorestais abre a oportunidade de agregar valor com a exploração de PFNM como utilizar as polpas dos frutos para sucos e/ou derivados; ração animal produzida com o endosperma das sementes. Ainda abre a oportunidade de antecipação de renda com as culturas perenes.
2.3 – Práticas para a Certificação Florestal
2.3.1 Conhecer a propriedade: Antes de programar as atividades de campo necessárias para a adequação socioambiental ou para a certificação da propriedade, são necessários o desenvolvimento de um mapa ou desenho da área e a realização de um diagnóstico sobre os principais fatores sociais e ambientais relacionados.
2.3.2 Planejar ações para uma propriedade mais sustentável: O planejamento consiste em organizar e priorizar atividades a realizar na propriedade.
Programa ambiental:      ecossistemas de alta biodiversidade e, ao mesmo tempo, ameaçados por mudanças no uso do solo, pelo crescimento das cidades e da população, principalmente na Mata Atlântica. O objetivo de elaborar um Programa Ambiental para assentamentos, grupos de produtores e fazendas de cacau é fazer que as propriedades sejam produtivas, e ao mesmo tempo, contribuam para a conservação da biodiversidade.                                                        
Plano de uso racional da água: A razão para realizar um plano de uso racional da água é levar a propriedade a utilizar a água na menor quantidade possível e a retorná-la, ao ambiente, na melhor qualidade possível. Para que isso se realize, são sugeridas as seguintes atividades: 
• Impedir a contaminação das fontes de água por lixo, agroquímicos e esgotos;
• evitar a entrada do gado em nascentes, riachos e outras fontes naturais de água. Permitir apenas pequenos acessos do gado a poucas fontes de água;
• identificar, no mapa, os pontos de captação de água que a fazenda utiliza e, quando necessário, fazer a outorga nos órgãos responsáveis;
• monitorar os encanamentos e as tubulações e corrigir eventuais vazamentos e desperdícios;
• em caso de irrigação, o sistema deve ter base em um projeto técnico adequado à disponibilidade de água, sendo conveniente registrar-se o consumo desse recurso natural.
Plano de manejo de sombra: Sob as condições tropicais de clima, nas culturas de palmiteiro, o sombreamento adequado promove vantagens consideravelmente importantes.
Entre elas, o aumento da longevidade da planta, pois se trata de uma espécie que precisa de umidade para seu desenvolvimento, nos primeiros anos de vida.
Ao decidir plantares árvores para sombrear o palmiteiro, é interessante considerar o formato e a densidade da copa de cada árvore, preferindo espécies fixadoras de nitrogênio e que produzam alguma renda extra. Geralmente, opta-se por espécies com copas mais ralas e de fácil manejo, com múltiplas funções como: potencial de uso madeireiro; produção de biomassa; fixação de nitrogênio; atração de insetos benéficos; segurança alimentar do trabalhador; atração de pássaros; ciclagem de nutrientes; papel medicinal e aromático. Outra opção é realizar plantios de espécies florestais
e frutíferas em locais onde o cacaueiro não se adaptou muito bem, onde ocorrem replantios freqüentes e baixa produção.
Programa de Manejo Agrícola: O objetivo do programa de manejo agrícola é ajudar o produtor a conhecer e a planejar as práticas positivas, que podem ser adotadas na lavoura, para garantir uma produção mais sustentável, de mais qualidade e reduzir a dependência de práticas negativas. O programa pode ser expresso num documento técnico, elaborado por um agrônomo ou técnico agrícola, explicando a tomada de decisão sobre o controle de pragas e de doenças, a fertilização e as demais práticas agrícolas.     Ou seja, o produtor deve conhecer como manejar, de forma integrada, as pragas, as doenças, o mato, o palmiteiro e a sombra. Depois de conhecer tais práticas, ele deve planejar quais delas serão adotadas e quando serão realizadas. É muito importante que o produtor anote, a cada dia, a atividade executada e os produtos usados, assim como a produção colhida.
O programa agrícola deve conter o período e as condições em que o produtor deve ficar atento à incidência de cada praga e doença, para que, nesse período, estabeleça o controle sobre elas. Se possível, para cada praga e doença, deve-se fixar um nível de tolerância para a infestação, chamado de. Os períodos de controle do mato e de manejo de sombra também devem estar planejados nesse programa.
Programa de manejo Integrado de Resíduos: Nas propriedades, produzem-se resíduos de origem agrícola e de origem doméstica. O Programa de manejo integrado de resíduos tem o objetivo de levar a propriedade a reduzir a produção de lixo e a fazer com que os materiais tenham o destino mais adequado, melhorando o aspecto geral da propriedade. Para um plano de adequação, é importante que todo resíduo gerado na propriedade seja conhecido e tenha sua origem identificada.



Conclusão


Após a análise dos levantamentos feitos, dos planejamentos de cada programa e dos registros de controle das atividades executadas, pode-se iniciar um novo ciclo a partir do planejamento.

 Referência Bibliográfica
Guia de Boas Práticas e Certificação em Propriedades de Cacau., Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola                    (Imaflora),Instituto Cabruca. 2011.
AHRENS. S., A Certificação do Manejo Florestal sustentável dos plantios de pupunha e de Palmeira real com o sistema ABNT CERFLOR.

FADDEN, J.M. A produção de açaí a partir do processamento dos frutos do palmiteiro (Euterpe edulis, Martius) na Mata Atlântica. Trabalho de Pós-graduação em Agroecossistemas. Universidade Federal de Santa Catarina, centro de ciências agrárias, 2005.

NOVOS PROJETOS PARA O BLOG

Olá,

É com muita satisfação que divulgo o início de um novo projeto dentro deste Blog. Pensei bastante se deveria criar um novo, mas acho que posso fazer algo bem legal neste que já está criado... além do mais, não teria muito tempo para administrar tanta vida virtual... :)

A primeira mudança é que, a partir deste final de semestre, estarei publicando alguns trabalhos de alunos para divulgação aqui no Blog. São trabalhos desenvolvidos nas disciplinas que ministro na Fatec Capão Bonito para o curso de Tecnologia em Silvicultura. Alguns trabalhos podem ter sido considerados nota 10, mas esse não é o critério mais importante para a publicação aqui... às vezes o assunto é o foco, ou a apresentação... enfim.... sempre que eu considerar que vale a pena, publicarei. É claro que os trabalhos podem apresentar erros, falhas e problemas... o intuito não é publicar modelos perfeitos de trabalhos acadêmicos, e sim, divulgar o que os alunos (veja bem, são alunos!) estão fazendo durante a graduação.

A segunda mudança é iniciar um estudo de caso (sem prazo determinado) no Sítio Primavera - localizado em Ribeirão Grande, SP. No sítio propõe-se desenvolver a recuperação florestal em APP, um quintal agroflorestal de subsistência e dois sistemas silvipastoris. Mas esse tópico deixarei para outro dia...

Enfim, escolhi dois artigos desenvolvidos pelos alunos do 6o. nivel na disciplina Legislação Florestal e Sistemas de Certificação Ambiental.

terça-feira, 18 de junho de 2013

NOVIDADE: Guia de Nutrição para Espécies Florestais Nativas


Guia de Nutrição para Espécies Florestais Nativas

O Guia de nutrição para espécies florestais nativas apresenta importantes conceitos sobre nutrição mineral, como os nutrientes essenciais e suas funções na vida vegetal; os sintomas que indicam carência de nutrientes em espécies florestais nativas; e como a microscopia eletrônica revela a deficiência de cada nutriente na estrutura celular da planta. Para permitir a fácil e rápida identificação das deficiências nutricionais, o livro inclui uma chave para identificação visual, mediante ilustrações coloridas e descrições dos sintomas observados.

Tubete Biodegradável - notícias!

Ellepot cria novo padrão para produção de mudas florestais

Vantagens de sistema dinamarquês decretam fim, a médio prazo, da produção de mudas com tubetes plásticos


Na Elmia Wood, o gerente de exportação da Ellegaard, Darcy Werneck, teve a oportunidade de apresentar aos brasileiros, que ainda não conheciam de perto, a máquina que – em determinadas variações, pode produzir até 40 mil Ellepots por hora.
O Ellepot substitui o tubete plástico com um tubo de papel degradável preenchido, através de sucção, com substrato. “São muitas as vantagens por isso, cada vez mais e mais empresas estão adotando o sistema como solução na produção de suas mudas florestais”, ressaltou Werneck.
Antes de visitar a Elmia Wood, na Suécia, uma equipe da Painel Florestal esteve ne o Uruguai para conhecer o viveiro de mudas de eucalipto da Montes Del Plata, com capacidade para 20 milhões por ano.
Acesse o link http://youtu.be/BOGe2A4Ai4Q e veja a reportagem exibida no programa Painel Florestal do último sábado, 15.

sábado, 3 de março de 2012

Tecnologia em Silvicultura - produzir madeira nativa certificada e com qualidade superior

"A sociedade avança no entendimento do que é proteção ambiental e, nesse caminho, alguns aspectos que até recentemente não eram devidamente tratados e considerados estão passando a ser. É o caso da busca por inovações no setor florestal. A eficiência com o uso de novas tecnologias pode ampliar o uso da madeira, evitar o desperdício e, assim, diminuir a pressão sobre o desmatamento, principalmente os impactos negativos sobre essências que correm o risco de entrar na lista de espécies ameaçadas de extinção.


Um dos maiores desafios nesse cenário, porém, é a conservação das florestas nativas, de forma a se evitar o desmatamento irracional, visando atender às demandas por madeiras e derivados, o que precisa ser feito por meio do manejo florestal sustentável nas florestas naturais, legalmente possíveis, e/ou por meio de reflorestamentos.


Outro aspecto importante nesse contexto é levar em conta que, no mercado madeireiro, a globalização da economia também levou ao acirramento da concorrência, inclusive com empreendimentos vindos para o Brasil. Com isso, a “sobrevivência” passou a ser obrigatoriamente o objetivo maior de muitas empresas, muitas vezes com perdas de matérias-primas e de qualidade dos produtos pelo não uso das melhores tecnologias disponíveis.


A saída então é inovar tanto em termos de tecnologias quanto de processos produtivos, sem esquecer a sustentabilidade. Assim, o ponto de equilíbrio entre o socioeconômico e o ambiental no setor florestal ocorrerá como caminho seguro para enfrentar os desafios econômicos atuais. Isso através do uso das melhores tecnologias e de processos de gestão que tornem o setor mais competitivo e contribuam para a manutenção dos ecossistemas, seja nas áreas de plantios ou de florestas nativas."


Fonte: Luiz Fernando Schettino

Madeira 2012: competitividade, sustentabilidade e oportunidades
Artigo de Luiz Fernando Schettino, Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal, Professor Universitário e Coordenador Temático do Madeira 2012
sexta, 02 de março de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Qual a diferença entre especialização, mestrado e doutorado?

Qual a diferença entre especialização, mestrado e doutorado?

Esses três tipos de formação são opções de pós-graduação com enfoques distintos. Os cursos de especialização - que têm como exemplos mais conhecidos os MBAs, voltados para a área de administração de empresas - são mais práticos e objetivos, visando um aprimoramento profissional. Já o mestrado e o doutorado são cursos de longa duração e costumam ser escolhidos por quem busca formação acadêmica na área da pesquisa científica ou quer seguir carreira como docente. A princípio, para lecionar em faculdades não é exigido que todos os profissionais tenham título de mestre ou de doutor. No entanto, como as universidades precisam ter, obrigatoriamente, um certo número de doutores em seus quadros, os profissionais com esses títulos conseguem melhores oportunidades de trabalho. Os cursos de pós-graduação foram regulamentados oficialmente no Brasil pelo Ministério da Educação (MEC) em 1969.




Essa é uma questão comum entre os acadêmicos, principalmente alunos do curso de Tecnologia em Silvicultura. O curso tem várias facetas, e talvez por isso, cause um pouco de confusão para responder "o que fazer depois da graduação"?


Esse texto acima foi retirado do site da editoraabril.com. Eu gostaria de ressaltar que o curso de Tecnologia é rápido, normalmente em 3 anos o aluno está formado. Se você sentir que quer estudar mais, procure um curso de especialização... porque? Um curso de mestrado é para quem quer seguir carreira acadêmica, doutorado, docência no ensino superior. Ou seja, não parece, mas muito mais concorrido do que o mercado profissional. 


VALORIZE SUA FORMAÇÃO! TECNOLOGIA É GRADUAÇÃO!


Faça aquilo que mais combina com você, com seu perfil profissional. Busque felicidade!